Aborto entenda essa questão polêmica

Aborto: o que é, tipos, riscos, leis, questões políticas e sociais

Dentre várias questões importantes e polêmicas da atualidade, o aborto sempre figura entre as mais discutidas, pesquisadas e controversas que temos notícia.

Isso porque o tema realmente é polêmico e diverge opiniões das pessoas, além de representar um medo da maioria das mulheres que desejam ter filhos e encontram-se grávidas no momento.

Existem várias abordagens diferentes para esse assunto, que vão muito além da questão que envolve a saúde e a parte biológica da questão.

O aborto em si, reflete concepções ideológicas, por vezes religiosa, de saúde, com preconceito.

Enfim, É possível encontrar diversas opiniões diferentes, que dificultam o entendimento dos grupos que pensam de determinada forma.

O importante é entendermos que neste artigo, o foco não é defender nenhum lado ou nenhum tipo de concepção sobre o tema.

Iremos te ajudar a entender o que é um aborto, porque ele costuma acontecer e o que você pode fazer para evita-lo e debater alguns pontos que envolvem além da questão biológica.

Por fim, você terá uma visão global tanto da questão física que permeia essa situação, quanto da questão moral sobre o assunto que continua sendo tabu e visto frequentemente como uma prática indesejada.

Definição de aborto

Numa visão geral, antes de entrarmos de cabeça nesse assunto tão denso, podemos definir o aborto como simplesmente a interrupção de uma gravidez, antes do tempo exato para que o feto possa sobreviver sozinho fora do útero.

Essa interrupção da gravidez causa a expulsão do feto do corpo, fazendo, portanto, com que o esse processo possa vir a ser doloroso.

O aborto, ou a interrupção da gravidez, pode acontecer de forma espontânea.

Ele pode ser, portanto, resultado de algum tipo de complicação devido a fatores de risco ou algum outro tipo de situação.

Aborto entenda essa questão polêmica

Além da forma espontânea, o aborto também pode ser causado de forma induzida.

Dizer que um aborto ocorreu de forma induzida é o mesmo que dizer que alguém o provocou, com intenção.

É importante diferenciar esses dois conceitos, para entender que sim, você pode sofrer um aborto mesmo que não queira, por conta de outros fatores que iremos ver com atenção mais a frente.

Além de já sabermos o que efetivamente é o aborto, e que alguém pode induzi-lo ou ele pode ocorrer de forma espontânea, existem outros pontos.

Quando alguém induz o aborto, esse processo pode ocorrer de forma medicamentosa ou por meio de cirurgias, a depender do caso.

Os métodos que usam medicamentos acontecem mais no o início da gravidez, e garantem bons resultados comparados com as cirurgias destinadas a esse fim.

Vale lembrar que a legislação brasileira não permite o aborto em casos gerais e só o tolera em algumas situações bem específicas que iremos mencionar mais a frente.

Além disso, nosso objetivo é informativo, e não o de estimular ou não essa prática.

Concepção do feto

Para que o aborto – espontâneo ou induzido – ocorra, primeiro deve haver uma fecundação e concepção do feto.

Basicamente, a concepção é a junção de uma série de acontecimentos que culminam com a fixação do embrião na parede uterina da mulher.

Com um óvulo disponível, o espermatozoide mais rápido o fecunda, e acontece assim a formação do embrião.

Os espermatozoides são atraídos para o óvulo graças a liberação de certas substâncias, que provocam essa “busca” do espermatozoide pelo óvulo.

Vale mencionar que o ambiente não é nada propicio para que o espermatozoide sobreviva, já que a vagina tem um pH mais ácido a acaba matando-os.

Além disso, apenas um dos espermatozoides irá conseguir fazer a fecundação.

Após ocorrer a efetiva fecundação do óvulo pelo espermatozoide que teve sucesso na corrida, ocorre a formação do embrião, que dará origem ao futuro bebê.

Esse embrião irá se grudar a parede uterina da mãe e aí por diante irá seguir o seu processo natural de desenvolvimento até que esteja pronto para a sobrevivência fora do útero.

Características da menstruação

Antes de adentrar mais questões específicas sobre o aborto e já que entendemos o que é a fecundação e como ela acontece, vamos falar um pouco sobre a menstruação.

Em poucas palavras, o processo de menstruação nada mais é do que uma descamação da parede uterina que acontece naturalmente todos os meses com as mulheres em período reprodutivo.

A menstruação ocorre basicamente porque o corpo feminino, mensalmente, espera por uma fecundação e aguarda pelo embrião que irá se fixar no útero.

Quando não ocorre a fecundação, toda aquela camada uterina onde o embrião iria se fixar, precisa deixar o corpo da mulher, já que não terá utilidade.

Aborto entenda essa questão polêmica

Esse descarte da parede uterina, acontece por meio da menstruação, um sangramento natural que possui intensidades diferentes a depender de cada organismo – dentro, claro, da normalidade.

Esse processo forma um ciclo, que conhecemos habitualmente como ciclo menstrual, e geralmente dura em torno de 28 dias, porém esse número pode ser diferente.

Geralmente essa descamação uterina é menos intensa nos dias iniciais e finais de cada período.

A coloração também pode variar de acordo com isso. No início e no fim de cada período menstrual, a descamação geralmente é mais escura, tendendo ao marrom.

Durante o período menstrual, tem cor mais viva e pode ter presença de coágulos de sangue.

É importante falar sobre a menstruação e sua intensidade e coloração, para que você possa dirimir dúvidas sobre diferença entre sangramento e menstruação.

Diferenças básicas entre menstruação normal e sangramento

Como nosso objetivo é tentar passar o máximo de detalhes possível, ajudar a diferenciar um sangramento uterino de uma menstruação é um passo muito importante.

Como dissemos, o sangue que é liberado pelo corpo durante o período menstrual apresenta coloração e intensidade bem característica.

Você consegue perceber formação de coágulos de forma recorrente durante a menstruação.

Além disso, sua cor pode variar entre amarronzado e vermelho bem intenso, já que se trata de uma descamação do útero e possui outros materiais misturados ao sangue.

Além dessas características, o sangue menstrual apresenta um fluxo de liberação mais intenso – lembrando que essa intensidade pode e vai variar de acordo com o corpo de cada mulher – e contínuo.

No caso do sangramento propriamente dito, algumas coisas são diferentes. No geral, o sangramento não tem a mesma intensidade da menstruação e nem mesmo forma coágulos.

Além disso, por se tratar de sangue puro, sua coloração varia de rosa a amarronzado.

Se esse sangramento ocorre durante o início da gravidez, pode ser normal, sendo então chamado de “nidação”

A nidação costuma acontecer normalmente após a acomodação do embrião à parede uterina e pode durar até 3 dias, a depender do caso, além de em algumas situações provocar algumas dores semelhantes à cólica.

Se o sangramento ocorrer em época diversa, seja com ou sem a presença de uma gravidez, pode ser um sinal claro de que algo está errado com seu organismo.

Por isso, procure imediatamente seu ginecologista de confiança.

Tipos de aborto

Como já vimos anteriormente, existem diferentes tipos de aborto.

Além do que já conhecemos sobre o aborto espontâneo e do aborto induzido, existem outras classificações muito mais específicas, que nos ajudam a visualizar as diferentes nuances desse fenômeno, explicando exatamente suas diferenças.

Vamos conferir as características dos tipos de aborto mais conhecidos e entender melhor sobre esse assunto.

Aborto espontâneo

Esse tipo de aborto pode acontecer por diversos fatores diferentes.

O importante em primeiro plano é entender que o aborto espontâneo, como o nome, diz, acontece por situações contrárias à vontade da gestante.

Alguns fatores que podem provocar ou facilitar a ocorrência dos abortos espontâneos:

  • Trombose
  • Idade mais avançada
  • Problemas hormonais
  • Algumas doenças autoimunes
  • Problemas de origem genética
  • Distúrbios na tireoide
  • Problemas estruturais no útero
  • Ovários com alguma alteração
  • Alguns problemas com a formação do feto
  • Entre várias outras causas

O aborto espontâneo é uma ocorrência relativamente comum.

Algumas caraterísticas do seu processo são dores intensas na região do abdômen, bem como, a eliminação de líquidos e sangramento vaginal.

Essa situação não desejada pela gestante pode acarretar diversos problemas que vão além da situação física – que requer cuidados após a conclusão do aborto para evitar complicações.

Essas complicações podem ser também de ordem mental.

A mulher pode sentir-se extremamente triste e tender à depressão após sofrer um aborto espontâneo.

Por isso, além do acompanhamento médico, é importante fazer um acompanhamento psicológico.

Ameaça de abortamento

A ameaça de aborto ou abortamento, é a ocorrência de sangramento pela vagina, indicando uma possível ocorrência de um aborto espontâneo.

Esse sangramento geralmente não apresenta dor, ou pode apresentar dor bem suave e requer acompanhamento e exames, para verificar se a ameaça de aborto irá efetivamente se cumprir.

Nessas situações, o médico deve solicitar exames clínicos mais detalhados.

O médico provavelmente irá recomendar repouso absoluto, ausência de atividade sexual e talvez até medicação, a depender da situação da gestante.

Aborto frequente ou aborto de repetição

Sabemos que, infelizmente, o aborto espontâneo é uma ocorrência frequente entre as mulheres, e isso ocorre por motivos que já vimos anteriormente.

O aborto frequente ou aborto de repetição, é uma situação em que o aborto espontâneo também acontece, ou seja, sem o desejo da gestante, porém por mais de 3 vezes seguidas.

Essa situação desagradável para a gestante e a família, ocorre por diversos motivos.

Para identificar as causas do aborto frequente, o médico ginecologista irá pedir uma série de exames a serem realizados.

Além disso, deverá investigar o histórico familiar para verificar acontecimento de casos anteriores ou de problemas genéticos que podem ocasionar o problema.

Existem, no entanto, algumas causas mais comuns do aborto de repetição que são as seguintes:

  • Problemas de ordem genética no feto
  • Miomas
  • Má formação do útero
  • Pólipos
  • Problemas na tireoide
  • Ovário policístico
  • Obesidade
  • Diabetes não controlada corretamente
  • Deficiência na produção de progesterona
  • Trombose
  • Não rejeição do embrião pelo corpo da mãe

 Além dessas causas relacionadas à saúde ou a outros fatores, existem também os hábitos do dia a dia que podem influenciar e também serem causas comuns de abortos espontâneos e recorrentes.

Os abortos recorrentes podem acontecem com mais facilidade em mulheres que possuem estilo de vida mais desregrado, utilizando em grandes quantidades álcool, drogas ilícitas, consumindo comidas muito gordurosas e sem atividade física frequente.

Além disso, fumar aumenta as chances de ter um aborto, bem como o consumo exagerado de cafeína também.

Aborto entenda essa questão polêmica

Para diminuir consideravelmente as chances de ter um aborto espontâneo, caso você esteja planejando ter um bebê ou tentar novamente, mude drasticamente seus hábitos de vida.

Alimente-se adequadamente, evite drogas, álcool e cigarro, bem como beba café moderadamente e inclua as atividades físicas regulares ao seu cronograma semanal.

Aborto induzido

No caso dos abortos induzidos, diferente dos espontâneos, a ação de interromper a gravidez e expulsar o feto do útero antes de estar pronto para viver fora dele, depende da vontade da gestante.

Esse tipo de aborto pode ser feito de forma cirúrgica ou de forma que utilize medicamentos, a depender do caso e de que altura se encontra a gravidez.

No Brasil, a lei permite o aborto nos casos em que:

  1. alguém tenha cometido violência sexual,
  2. quando representa risco de vida para a mãe
  3. ou nos casos em que o feto tenha anencefalia e, portanto, não tenha expectativa de vida fora do útero.

As formas cirúrgicas da realização do aborto têm como exemplos a aspiração e sucção do feto do útero, e a indicação é que esse método ocorra até as 16 semanas de gestação.

Pode ser feito também utilizando medicações próprias para este fim, que inibem ou bloqueiam o corpo da mulher de produzir hormônios para continuar a fazer a manutenção da gravidez, obrigando o organismo a eliminar o feto.

O procedimento de aborto induzido pode sim ser realizado de forma segura, desde que seja feito por médicos.

Deve acontecer em ambiente próprio e preparado para realizar o procedimento bem como dar o atendimento necessário pós procedimento para a mulher.

Além disso, utilizando medicamentos, técnicas e equipamentos próprios para a realização do aborto.

Perigos do aborto induzido clandestinamente

O aborto induzido feito de forma clandestina acontece muito nos países em que este não é liberado pela legislação, e, por isso, acaba causando a morte de muitas mulheres que desejam interromper sua gravidez.

Por esse procedimento ocorrer fora de um hospital e muitas vezes sem higiene necessária, sem equipamentos médicos próprios e até mesmo feito por pessoas que nem sequer cursaram medicina, é de extremo risco.

É importante ressaltar que esse procedimento de risco costuma sim acontecer, e no Brasil, onde a lei só permite o aborto em casos específicos, ocorre bastante.

Porém, os riscos são elevados.

Por mais que o estabelecimento ofereça segurança para realizar a interrupção da gravidez, não podemos considerá-lo de forma nenhuma confiável.

Aborto completo

O aborto completo nada mais é do que um aborto que foi bem sucedido e o corpo, sozinho, expeliu os líquidos provenientes da gravidez, não tendo a necessidade de fazer nenhum outro procedimento posteriormente, como a aspiração.

Nesses casos, o sangramento que ocorreu levou consigo o feto e todas as substâncias que estavam no útero, além dos níveis de Beta HCG, antes bem elevados, estarem em queda brusca.

O sangramento ocorre por um tempo e depois termina, sem depósito de resíduos no útero da gestante.

Para ter certeza de que o aborto foi realmente completo, se faz necessários fazer exames posteriores, afim de verificar a real necessidade de se fazer ou não algum outro tipo de tratamento.

Aborto incompleto

Ao contrário do que acontece no aborto completo, nesse caso, o procedimento ocorre com mais dor e o sangramento não leva todos os resíduos da gravidez.

Nesses casos, o médico deve efetuar a retirada dos restos que ficarem no útero.

Nessa situação o colo uterino fica semi-aberto.

É necessário fazer exames posteriores para verificar o que restou e designar os procedimentos seguintes.

Aborto induzido legalmente

O aborto induzido, que é aquele que ocorre intencionalmente, pode acontecer também de forma legalizada, mesmo no Brasil.

Sem adentrar por hora nas questões legais, o aborto induzido legalmente no Brasil pode ocorrer nos casos em que a mulher tenha sofrido estupro, tenha risco contra sua vida ou nos casos do feto não possuir cérebro.

Realizado de forma segura por meio de médicos, equipamentos adequados e num hospital regulamentado, o procedimento ocorre de forma segura e então, evita problemas posteriores para a gestante.

Em países onde o aborto é legalizado em mais casos, o procedimento pode ocorrer sempre dessa forma, propiciando mais segurança para a mulher.

Aborto infectado

O aborto infectado acontece quando o procedimento ocorreu de forma incorreta ou quando não aconteceu a limpeza, ou aspiração adequada do útero, promovendo que resíduos continuem no corpo da mulher.

Esse tipo de situação pode ser muito perigosa para a mulher e geralmente ocorre em situações em que um aborto feito de forma clandestina tenha sido feito.

Aborto entenda essa questão polêmica

Geralmente, pessoas não treinadas e sem a devida cautela, realizam esse tipo de procedimento.

Não é raro acontecer de abortos clandestinos serem realizados com o auxilio de objetos não indicados para esse fim, que a pessoa introduz na vagina de forma inadequada.

Objetos estranhos e mal manipulados podem infectar o corpo da gestante, além de ainda oferecer risco para a estrutura do útero, podendo causar perfurações.

Esse tipo de aborto clandestino, feito de maneira incorreta, acaba deixando resíduos do feto ou de líquidos, que acabam então por apodrecer no corpo e criar as inflamações.

Os sintomas são vários, mas podemos citar como exemplos:

  • Febre
  • Secreção na vagina
  • Sangramento
  • Tremedeiras e calafrios

 É necessário atendimento médico imediato e exames detalhados para identificar a raiz da infecção e trata-la a tempo.

Aborto previsto em lei

Novamente citando que as leis brasileiras permitem o aborto a depender do caso, temos sim situações em que esse procedimento acontece.

Nos casos em que alguém tenha cometido violência sexual contra a mulher e uma gravidez tenha acontecido, a mulher pode optar pela retirada do bebê em formação.

Além disso, quando a gravidez apresentar risco de vida real para a gestante, a vida dela prevalece à da criança, podendo assim os médicos realizarem o aborto.

No caso dos fetos anencefálicos, é também facultada a realização do aborto, já que a criança, mesmo que nasça com vida, não tem como se manter fora do útero por muito tempo.

Fatores de risco para o aborto

Já comentamos um pouco sobre o aborto espontâneo e como ele pode ocorrer, provocando o fim repentino de uma gestação desejada.

O aborto espontâneo é uma situação comum e que pode provocar profunda tristeza para os pais, podendo abalar muito a saúde mental da gestante.

Importante salientar que o aborto espontâneo pode acontecer de forma abrupta ou após uma ameaça de abortamento e tem sim alguns fatores que podem levar ao acontecimento desse fato indesejado.

Antes de qualquer coisa, é muito desejável que a mulher que pretenda engravidar, mesmo antes da concepção da criança, procure manter um estilo de vida bem saudável e com muito equilíbrio.

Sabemos que isso nem sempre acontece, e muitas mulheres acabam por apenas se desapegar de alguns maus hábitos de saúde quando efetivamente descobrem que estão grávidas.

Algumas mulheres nem mesmo chegam a melhorar seus hábitos com a chegada na gravidez.

Pois é importante saber que essa atitude pode aumentar muito as chances de que um aborto espontâneo possa acontecer, portanto, é bom ter em mente que ter um estilo de vida saudável é importante.

Tenha em mente os fatores de risco

Alguns fatores de risco para a gestante e que podem resultar em um aborto espontâneo e indesejado são o sedentarismo, a obesidade ou sobrepeso, hábitos alimentares ruins, falta de exercícios físicos regulares, abuso de álcool ou drogas, fumo, exagero de cafeína, vida desregrada.

Pode parecer redundante citar esses motivos, mas muitas mulheres negligenciam a saúde e podem acabar passando por situações desagradáveis.

Além dos fatores mais comuns, que são relacionados com a própria saúde e hábitos de vida da mãe, existem situações de problemas genéticos ou hereditários, defeitos na produção de progesterona, falhas provenientes do próprio feto que inviabilizam a gravidez, idade avançada e outros.

É importante saber que o aborto espontâneo pode sim acontecer e não é raro.

Cuide de sua saúde e faça o acompanhamento médico adequado para sua gravidez, de forma a diminuir as chances de que esse problema ocorra.

Quando as leis permitem o aborto?

Agora com um enfoque mais específico na legislação brasileira, podemos analisar com calma o que a lei permite e em quais penas incorrem quem insiste em realizar abortos clandestinos e em situação não aprovada por nossas leis.

É bom deixar claro que o aborto clandestino e em situação não permitida é causa de punição não só para quem realiza, mas também para quem se submete.

Proibição do aborto

Vejamos o que diz o artigo 124 do nosso código penal: “Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque: Pena – detenção, de um a três anos.”

Por esse artigo, é possível ver que as penas acontecem para ambos, e o fato é punível com detenção, ou seja, a efetiva prisão dos condenados.

Nos casos de uma outra pessoa ter provocado o aborto, sem que a gestante tenha dado o consentimento, no entanto, a pena recai somente para quem causou o mal: “Art. 125 – Provocar aborto, sem o consentimento da gestante:

Pena – reclusão, de três a dez anos.”

Quem provoca o aborto sem o consentimento da gestante e de forma maliciosa e intencional, tem uma pena bem mais pesada em vista.

Dando continuidade a leitura da legislação pertinente, temos o artigo 126, que fala sobre quem provoca o aborto, com a concordância da gestante: “Provocar aborto com o consentimento da gestante: Pena – reclusão, de um a quatro anos.

Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é maior de quatorze anos, ou é alienada ou débil mental, ou se o consentimento é obtido mediante fraude, grave ameaça ou violência.”

Isso significa dizer que caso uma pessoa provoque um aborto na gestante, mesmo ela tendo concordado – por exemplo, oferecendo um remédio que interrompa a gravidez -, irá incorrer no crime.

E caso essa concordância da gestante seja falsa ou ela seja menor ou relativamente incapaz por seus atos, a pena é a mesma do artigo anterior, ou seja, até 10 anos.

Forma qualificada do aborto

Além das penas já apresentadas, existe ainda a forma qualificada do aborto, que é descrita com clareza no artigo 127:

As penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas de um terço, se, em consequência do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo, a gestante sofre lesão corporal de natureza grave; e são duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém a morte.”

Fica bem claro pelo artigo 127 que, caso a gestante que passe pelo aborto clandestino e venha a sofrer qualquer lesão grave ou faleça, as penas serão aumentadas para quem provocar aborto ou realizar.

Nossas leis são rígidas, pelo menos até o momento em relação ao aborto.

Por isso, é importante ter mente esses artigos da legislação e saber que quem realiza ou quem passa por um aborto clandestino, pode sofrer as mesmas penas.

Dispositivos legais que permitem o aborto

Analisando agora com mais detalhe o que a legislação traz como permissão para a realização do procedimento de aborto, temos o artigo 128 e seus dois incisos: “Art. 128 – Não se pune o aborto praticado por médico:

Aborto necessário

I – se não há outro meio de salvar a vida da gestante;

Aborto no caso de gravidez resultante de estupro

II – se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal.”

Os casos apresentados são os que já citamos, em possibilidade de a mulher ter sofrido estupro ou caso haja risco de vida para a mulher.

Mas além dessas duas, há também a possibilidade de realização do procedimento nos casos do feto anencefálico (sem encéfalo, total ou parcialmente).

Conforme decisão do Supremo Tribunal Federal, é facultado à gestante recorrer a interrupção da gravidez nos casos em que o feto tiver anencefalia.

Isso porque, segundo o Supremo, o feto nessas condições é considerado nascido morto cerebral para a medicina.

O feto nessas condições tem pouca ou nenhuma sobrevida após o parto, alcançando poucos minutos, horas ou dias vivo.

Para evitar sofrimento dos pais e familiares, bem como evitar que a criança com nenhum ou parcial desenvolvimento neurológico tenha algum tipo de sofrimento posterior, existe essa opção.

E até o momento, essas são as únicas três condições em que o Brasil permite legalmente o aborto e as penas anteriores não se aplicam.

O que faz perder o bebê no início da gravidez

Já falamos sobre algumas das causas do aborto espontâneo nas gestantes.

No entanto, este assunto é bastante delicado e algumas dúvidas sempre surgem.

Vamos passar mais algumas informações, para que você entenda o que pode provocar o aborto espontâneo no início da gravidez.

Saiba que além desse aborto espontâneo acontecer nos primeiros meses de forma relativamente comum, ele pode também acontecer antes mesmo que a mulher descubra a gravidez e ocorra em forma de sangramento.

Aborto entenda essa questão polêmica

Alguns fatores que causam a perda do bebê no início da gravidez:

  • Idade avançada da mãe
  • Idade avançada do pai
  • Problemas relacionados à má formação do feto
  • Problemas ou irregularidades no colo uterino
  • Excesso de peso ou magreza extrema
  • Abuso de álcool
  • Substâncias ilícitas consumidas pela mãe
  • Fumo
  • Hábitos alimentares desregrados
  • Sedentarismo
  • Doenças pré-existentes
  • Outros casos anteriores de aborto espontâneo
  • Histórico familiar

 Muitos fatores podem ocasionar essa situação desagradável, por isso, acompanhar de perto sua gravidez desde o início e mudar os hábitos alimentares e de vida são uma excelente forma de evitar.

Além disso, faça exames e check-ups periodicamente.

Como saber se estou abortando ou menstruando

Primeiramente, em caso de dúvidas se está abortando ou menstruando, procure fazer uma varredura mental e avaliar seu estado geral dos últimos dias.

A gravidez tem alguns sintomas peculiares, como o famoso combo de enjoo e náuseas. Você teve esses sintomas de forma recorrente e então ocorreu algum sangramento? Pode então ter sido um aborto.

Esses sintomas de gravidez tendem a desaparecer muito rápido após a realização do aborto instantâneo, então você terá mais facilidade em notar a diferença.

Talvez a forma mais importante para diferenciar aborto e menstruação seja delimitar algumas características das duas coisas.

Menstruação:

  • Dura de 3 a 7 dias
  • Tem fluxo moderado à intenso
  • Geralmente tem a formação de coágulos
  • Cor vermelho mais vivo à amarronzado
  • Cólicas leves

Aborto:

  • A menstruação pode ser semelhante a ele, caso não se tenha muito tempo de gravidez
  • Coloração de vermelho a vermelho escuro
  • Pode vir acompanhada de sintomas como fraqueza e extremo mal estar
  • Caso a gravidez não seja tão recente, pode vir a conter restos embrionários, que podem ser vistos
  • Contrações do útero

Os sintomas em si são diferentes.

No entanto, a forma de apresentação de um quadro abortivo pode variar de acordo com o ponto em que a gravidez se encontra.

Então, caso você tenha passado ou esteja passando por situação parecida, procure seu médico ginecologista para uma avaliação mais precisa do seu caso e verificar se está tudo correto com seu bebê ou se realmente ocorreu um aborto espontâneo.

Argumentos a favor da descriminalização do aborto

A luta ideológica em relação a continuação da criminalização ou da descriminalização do aborto é constante.

Em muitos lugares do mundo, essa discussão já foi suprimida.

Com os países liberando a prática, afim de que o processo ocorra de forma segura para as mulheres, acontece a diminuição das mortes e danos à saúde.

Aborto entenda essa questão polêmica

No Brasil, o aborto ainda é crime – à exceção dos pontos que já vimos – e muitas mulheres ainda lutam para que possam fazer o procedimento.

Vamos ver alguns dos argumentos utilizados para que o aborto seja legalizado e finalmente descriminalizado:

  • A criminalização do aborto não impede as mulheres de abortar
  • Muitas mulheres morrem em clínicas clandestinas atualmente
  • Obrigar uma mulher a manter uma gestação que não deseja é uma violação de seus direitos
  • Muitas mulheres não querem ter um filho e não deveriam ser obrigadas a isso
  • A maioria das mulheres que recorrem a clínicas clandestinas para realizar abortos, são aquelas que se encontram na linha da pobreza ou abaixo dela
  • Nossa legislação, no que tange à proibição do aborto, vem de outras épocas e não acompanhou o desenvolvimento da sociedade.

Argumentos contra a descriminalização do aborto

Do lado oposto, muitas pessoas condenam essa popularização da ideia de descriminalizar o aborto e, portanto, levantam a bandeira da defesa da vida.

Com argumentos que procuram refutar o daqueles que querem a liberação da prática, os contrários ao aborto ou às vezes chamados de “pró-vida”, tentam convencer a todos que a legislação corrente está certa.

Alguns argumentos contra a descriminalização do aborto:

  • O direito à vida começa na concepção do feto
  • O aborto vai contra a nossa Constituição
  • O fato de o bebê ainda não ter nascido, não significa que ele não tenha sensações, dores e sentimentos
  • É melhor focar em métodos contraceptivos e em educação sexual do que autorizar prática abortiva
  • O feto trata-se de outra vida, portanto, não cabe a ninguém o eliminar de forma arbitrária

Por que o aborto é considerado um problema de saúde pública

Justamente pelo fato de muitas mulheres procurarem solucionar a situação recorrendo a clínicas clandestinas e com pessoas não credenciadas para atuar com esse tipo de procedimento, problemas acontecem com frequência.

Não só no Brasil, mas em vários países onde as leis ainda não permitem a realização do aborto, muitas mulheres acabam morrendo durante os procedimentos ou mesmo após eles.

Por diversas vezes acontecem infecções uterinas que, caso não sejam tratadas, podem levar a mulher a óbito.

E essa é uma situação mais comum do que parece.

Além disso, cria-se espaço para que essas clínicas clandestinas atendam cada vez mais mulheres.

Elas acabam receitando medicamentos perigosos, que podem botar a vida da mulher em risco e realizando procedimentos duvidosos.

O fato de o aborto ser um problema de saúde pública é, portanto, um dos grandes argumentos de quem defende a descriminalização dessa prática.

Afinal, eles afirmam que ninguém deixa de abortar simplesmente porque a lei não autoriza.

Com a liberação do aborto para as mulheres, essa prática aconteceria sempre por meio de profissionais credenciados e preparados, com equipamento necessário e com toda a estrutura para ajudar a mulher antes e depois do procedimento.

Considerações finais sobre o aborto induzido e vislumbre da situação no futuro

A situação é polêmica em diversos países e muitos ainda tem o aborto como um tabu, proibindo-o então em qualquer situação a prática.

O Vaticano, por exemplo, tem essa conduta mais radical em relação ao aborto, proibindo sua realização em qualquer tipo de situação.

O Brasil já tem postura um pouco mais maleável em vista desses países, por exemplo, já que possibilita a realização em alguns casos.

Geralmente, os países mais desenvolvidos têm maior tendencia a legalizar o aborto em várias situações até um determinado tempo de gravidez.

O importante é notar que, a maioria dos países desenvolvidos ou em desenvolvimento acabam por ter uma maior incidência de aceitação ao processo de descriminalização.

Portanto, num futuro próximo, caminhamos para que mais locais aceitem o procedimento mais abertamente.

Não é dito que as pessoas entrarão num consenso sobre, mas, aparentemente, as novas gerações acabam por ter opiniões mais fortes a respeito da defesa de escolha da mulher.

Concluindo

Quando mulher e a família desejam a gravidez, uma grande alegria se instala no lar, pela espera do novo ser que está por vir.

No entanto, situações de aborto não desejado podem ocorrer e causar sérios problemas, tanto físicos quanto de ordem mental.

Visualizamos algumas das possibilidades de como isso pode ocorrer, como evitar e ainda falamos sobre a situação do aborto induzido como problema de saúde pública mundial e sua repercussão no campo moral.

Lembre-se de que todas as informações fornecidas servem para reduzir suas dúvidas e te auxiliar a entender a situação.

Consulte sempre seu médico de confiança, marque consultas regulares e cuide de sua saúde.

E caso não deseje uma gravidez no momento, procure prevenir-se.

Sabemos que as variáveis são muitas, mas se preservar e se colocar em primeiro plano, nunca é demais.

Se esse artigo foi útil pra você e te ajudou a acabar com algumas dúvidas, então compartilhe com alguma amiga que também precisa saber um pouco mais o assunto, e divida também suas opiniões com a gente!